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30 de março de 2016

Assembleia Legislativa homenageia os 120 anos dos Freis Capuchinhos no RS

Fotos: Ivan Sgarabotto

Os deputados Gilmar Sossella (PDT) e Sérgio Turra (PP) dividiram o espaço do Grande Expediente Especial, na sessão plenária desta quarta-feira, dia 30, para homenagear os 120 anos dos freis capuchinhos no Rio Grande do Sul.

O deputado Sossella iniciou o pronunciamento citando a lembrança dos calendários antonianos distribuídos pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que seus pais mantinham expostos em casa, com muito louvor.

O parlamentar lembrou a origem da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, fundada no século 16, na Europa, “motivada pelo desejo de renovação para viver uma vida cristã mais de acordo com o Evangelho e com os novos tempos”, e relatou aspectos históricos da sua trajetória. “A ideia, surgida no convento de Montefalcone, na Itália, propunha uma nova forma de vida franciscana, privilegiando a oração, a pobreza e a presença junto aos pobres. O objetivo era retomar o espírito e o modo de vida original de Francisco de Assis”, contou.

O projeto ganhou adeptos e, em 3 de julho de 1528, o Papa Clemente VII reconheceu a nova forma de vida franciscana e a denominou de Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que rapidamente se expandiu pela Europa.

Mais adiante, no Rio Grande do Sul, os Capuchinhos decidiram se instalar em Garibaldi (Conde d’Eu), onde poderiam implantar um novo projeto missionário junto aos imigrantes italianos. O dia 18 de janeiro de 1896 marca a fundação da Missão dos Capuchinhos no Rio Grande do Sul.

Em 1942, a Missão no RS foi elevada à categoria de Província. Assim, a Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul é considerada a primeira província do hemisfério Sul e da América Latina e, hoje, está entre as cinco maiores do mundo. A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos está presente em 108 países. No Brasil, está organizada em dez províncias e duas custódias, totalizando mil e cem frades. Na América Latina e Caribe conta com trinta províncias, cinco custódias e duas delegações.

“Os capuchinhos vivem em fraternidade, como forma de testemunhar que, no mundo, todos são irmãos, seguindo o carisma proposto por São Francisco de Assis, o grande fundador", disse Sossella. "Desempenham a missão em múltiplos campos, sempre atentos às necessidades mais urgentes, aos grupos mais desprotegidos da sociedade e às realidades de onde ninguém quer ir. Acima de tudo, tornam visível a missão assumida através da compaixão, da acolhida, da escuta, do diálogo, da solidariedade, da promoção humana e do anúncio do Evangelho”, comentou.

Lema

O lema escolhido pela fraternidade para comemorar a presença dos Freis Capuchinhos no Rio Grande do Sul é: “120 anos: gratidão, paixão e esperança”. A ação dos capuchinhos, hoje, abrange missões populares e ações sociais com mais de 20 projetos.

Neste sentido, destacou a Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados, a Lefan, considerada o guarda-chuva de inúmeros projetos sociais da Província dos Capuchinhos do RS. A Lefan abriga projetos voltados aos idosos, aos adolescentes, às crianças e à inserção no mundo do trabalho, com mais de trinta cursos por semestre e com participação de mais de mil e trezentas pessoas por ano. Em todos os projetos próprios são mais de cinco mil pessoas beneficiadas diretamente, com a ação de cerca de 100 funcionários e mais de 150 voluntários.

“É com sentimento de gratidão que lembramos do legado dos capuchinhos para o RS", disse o deputado Turra na sua homenagem. "São 120 anos de uma presença que mudou a realidade do nosso Estado. E este reconhecimento, por questão de justiça, ficará lavrado, a partir de agora, nas atas da Assembleia”, acrescentou. Segundo ele, os frades da Ordem tiveram, “na nossa história, uma missão espiritual transformadora para as comunidades gaúchas. Anunciaram a mensagem do Evangelho com postura inspirada no carisma de São Francisco de Assis, marcada pela simplicidade, humildade e pelo desprendimento material”, disse.

Para ele, contudo, a contribuição dos capuchinhos não parou por aí. “Eles tiveram um importante papel social e econômico. Quando vieram da Europa, trouxeram uma visão arrojada de desenvolvimento, introduzindo cultivos e incentivando a agricultura familiar, recordou, citando, por exemplo, sua importância para o desenvolvimento da cultura da soja, responsável hoje pela renda de tantas famílias. Os capuchinhos”, acrescentou, “não entregaram o peixe; mas ensinaram nosso povo a pescar”.

Ainda segundo ele, “esta é a forma correta de agir para acabar com a pobreza e melhorar a condição de vida das pessoas. Sem assistencialismo e sem tornar as pessoas dependentes de entidades e do Estado. Esta visão empreendedora segue, até hoje, dando frutos. É algo que inspirou os nossos antepassados e agora já faz parte do nosso caráter”, frisou.

Apontou a presença marcante dos franciscanos na região da colonização italiana, como em Vacaria e Lagoa Vermelha, que foram confiadas à Ordem no início do século 20. Como em Marau e Soledade, onde eles estiveram à frente de paróquias, e em Garibaldi, Flores da Cunha e Veranópolis, onde mantinham conventos.

O deputado Turra sublinhou a importância da congregação em Marau, sua cidade natal, “onde os capuchinhos foram protagonistas de avanços importantes da história da cidade”, ressaltando sua participação essencial na saúde. O cuidado nesta área também se manifesta nas Capitanias Hospitalares. “Os religiosos oferecem assistência espiritual para pacientes e seus familiares. Em Porto Alegre, são muitos os hospitais que contaram com esta dedicação dos capuchinhos: São Lucas, Belém, Clínicas, Mãe de Deus, Instituto de Cardiologia e outras entidades”. Ainda de acordo com Turra, os capuchinhos também foram fundamentais para avanços na área de comunicação.

Enalteceu, igualmente, a postura dos capuchinhos, “de doação ao próximo, de sacrifício, de ardor missionário, como mostram as famosas Missões Populares. De colocar, verdadeiramente, o interesse dos outros na frente dos nossos, não importando as dificuldades que surjam”.

Ao encerrar, citou a presença do seu tio, Frei Luiz Turra. “Tenho o privilégio de acompanhar de perto, na minha família, o belo testemunho do tio Luiz. É uma vida de entrega e dedicação – tanto em seu sacerdócio como no trabalho para as comunidades das paróquias em que atua. Hoje, ele é pároco da Igreja Santo Antônio do Partenon, na Capital, fundada em 1913 e que originou tantas outras, como a São Jorge, a São Judas Tadeu e a Nossa Senhora de Lourdes. Na pessoa dele, agradeço a todos que fazem parte da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos".

Presentes à Mesa o frei Cleonir Dalbosco, Senhor Provincial dos Freis Capuchinhos do RS; Sérgio Dal Moro, conselheiro-geral da Ordem dos Frades Capuchinhos, frei Luiz Turra, conselheiro provincial, e o professor João Dornelles Júnior, presidente da Fundação Irmão José Otão, representando a PUC/RS.

Em apartes, manifestaram-se os deputados Adolfo Brito (PP), Mirian Marroni (PT), Missionário Volnei (PSC), Zilá Breitenbach (PSDB), Ronaldo Santini (PTB), Vilmar Zanchin (PMDB) e Vinícius Ribeiro (PDT).

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