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7 de janeiro de 2011

Repórter da Record presa por ajudar traficantes não sabia que eles "seriam de quadrilha", diz advogado

O advogado Anderson Carraro, que assumiu a defesa da jornalista Maritânia Forlin, 25, no caso em que ela foi presa por supostamente se associar ao tráfico na cidade de Campo Mourão (noroeste do Paraná), admitiu nesta sexta (7) que a cliente tinha informantes para suas matérias em uma emissora de TV entre os presos em operação policial na quinta-feira (6).

Além de Maritânia, outros 16 foram presos ontem por crimes como tráfico de drogas, roubo e homicídio em operação realizada pela Polícia Civil, com apoio do Gaeco (Grupo de Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado).

A jornalista foi presa depois que conversas dela com Gilmar Tenório Cavalcanti, 35, também detido na operação e apontado pela Polícia Civil como líder do tráfico na cidade, foram interceptadas. Nas gravações, segundo o delegado-chefe, Maritânia, que era repórter policial, reclamava quando a cidade estava “parada demais” e sugeria a Cavalcanti –apontado pela polícia como seu namorado– que, em caso de algum assassinato, ela fosse avisada primeiro para registrar o caso antes de outras equipes de reportagem. A polícia também acusa a jornalista de repassar informações sobre operações policiais aos criminosos.

“Há interceptações, para a polícia, que comprovariam o fornecimento de alguns tipos de informações a integrantes do grupo –mas a polícia não apresentou gravações que de fato confirmam isso. Ela apenas falava com informantes de matérias, pois há quatro anos era repórter policial”, disse o advogado. Indagado se a cliente saberia de possível envolvimento das fontes em crimes, respondeu: “Ela sabia que já tinham praticado atos ilícitos, mas não que seriam de uma quadrilha. Quanto ao Tenório, ela tinha contatos com ele, mas nada amoroso”, afirmou Carraro.

O advogado informou que vai ingressar com pedido de habeas corpus no TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) para tentar a revogação da prisão temporária da jornalista.

Mais um preso
Nesta sexta, foi preso também um rapaz que era identificado como advogado de alguns dos investigados –sem que, contudo, ele tivesse registro na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para exercer a profissão.

“Ele tinha acesso aos inquéritos a que alguns dos investigados respondiam, e por isso, como não checamos que a OAB que ele apresentava, do Mato Grosso, era falsa, foi preso por falsidade ideológica e por passar informações ao tráfico”, explicou o delegado-chefe da Polícia Civil de Campo Mourão, José Aparecido Jacovós.

Segundo o delegado, cerca de 50 pessoas devem ser ouvidas no inquérito a partir da próxima segunda-feira (10). Os presos estão na cadeia pública ou no presídio da cidade graças a mandados de prisão preventiva e temporária expedidos pela Justiça no curso das investigações, que duraram três meses.

Currículo
A jornalista era terceirizada da emissora RIC TV, afiliada da Rede Record no Paraná, conforme informou a Polícia Civil.

A RIC/Record, em nota assinada pelo editor-chefe da emissora em Curitiba, Leonardo Filho, informou que a jornalista “foi repórter contratada da produtora AWR Publicidade e Propaganda Ltda, parceira do programa Cidades no Ar, exibido diariamente na RICTV Maringá”, mas que teria trabalhado lá “por pouco mais de quatro meses no programa e foi demitida da produtora há aproximadamente 60 dias. Em nenhum momento ela participou de programas estaduais da RICTV e muito menos da Rede Record.”

Em um site de currículos online, a jornalista se apresenta como profissional que possui “responsabilidade social, responsabilidade de construir uma sociedade democrática” e destaca: “Na atualidade, com o avanço tecnológico dos meios mais tradicionais de comunicação, o jornalista parece perder o seu papel de divulgador de informação. No entanto, devemos continuar como principal defensor da liberdade de expressão e analista dos acontecimentos diários”. Fonte

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