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29 de março de 2011

Frei Jaime Bettega faz crônica inspirado em Rogério Ceni


Multiplicando Funções

Alguns fatos conseguem provocar uma admiração coletiva. Até mesmo os menos iniciados em questões esportivas ficaram extasiados com o acontecimento futebolístico do momento: o goleiro Rogério Ceni celebrou uma marca inédita. Conseguiu algo extraordinário, digno de registro histórico: 100 gols! Sem deixar de ocupar seu posto oficial, o goleiro malabarista encantou torcida e passou a ocupar largos espaços na mídia.

Quantos jogadores, sempre bem pagos, não conseguem durante toda carreira tal façanha. Correm atrás da bola, jogam-se ao chão, multiplicam explicações, mas parecem não saber onde fica o gol. Há muito o esporte deixou de ser uma competição empolgante e contagiante. As negociações destacam de tal forma o econômico que o foco parece estar deslocado. Entendo que se trata de uma profissão, mas não haveria necessidade de se distanciar tanto do comum dos mortais que recebem mal e mal o necessário para a manutenção da dignidade.

Surpreendidos positivamente por Rogério Ceni, passamos a refletir e a criar ilações com o cotidiano. O mundo criou compartimentos e segmentou tudo e todos. A fabricação em série, tão bem registrada na história da administração, formatou espaços e especializou ações. Pouco sabemos do todo. Somos obrigados a entender unicamente do específico. Mais ainda: não temos interesse em saber algo mais. Evidente que o específico é complexo e necessita ser conhecido em profundidade. Porém, isso não impede que se tome conhecimento do todo.

O generalista foi cedendo espaço para o especialista. A medicina vive essa contradição: obriga pacientes a verdadeiras maratonas até que o diagnóstico seja pleno. Não se trata de minimizar o valor da especialização. Pelo contrário, avanços científicos exigem conhecimentos mais aguçados.

Por outro lado, carecemos de entendimentos mais globais. Quer seja na vida pessoal ou profissional, deveríamos nos capacitar para “defender gols e também para fazer gols”. Entender somente das partes é impedir a contemplação do todo. Como é bom saber um pouco de tudo. Esse é o “gol” que garante entusiasmo e vibração.

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