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19 de abril de 2011

Fidel renuncia a cargos em Cuba

Foto: Adalberto Roque / AFP / CP

O ex-ditador Fidel Castro confirmou sua renúncia à chefia do Partido Comunista de Cuba (PCC), último alto cargo político que ocupava no país, ao pedir sua exclusão do Comitê Central, segundo escreveu em um artigo divulgado nesta terça-feira.

"Raúl [Castro, irmão de Fidel] sabia que eu não aceitaria na atualidade nenhum cargo no Partido", afirmou Fidel, ao explicar em um texto no portal cubadebate.cu sua "ausência" no novo Comitê Central do PCC, eleito na segunda-feira (18) durante o 6º Congresso do partido.

Fidel, de 84 anos, ocupava o cargo de primeiro-secretário do Comitê Central do PCC --principal em um regime comunista-- desde a criação do Partido, único legal em Cuba, em 1965.

O 6º Congresso do PCC, o primeiro desde 1997, teve início no último sábado (16) e ocorre até esta terça-feira. Os participantes devem aprovar uma série de medidas econômicas que visam atualizar o sistema socialista adotado pela ilha, como anunciado pelo próprio presidente cubano, Raúl Castro.

O dirigente comunista confirmou assim o que havia afirmado em março sobre a renúncia ao comando do PCC. Fidel cedeu a Raúl a liderança em julho de 2006, em consequência de uma grave doença, mas continuou sendo chamado de primeiro secretário.

"Ele sempre foi quem me chamava de primeiro-secretário e comandante-em-chefe, funções que como se sabe deleguei na Proclama divulgada quando fiquei gravemente enfermo", reiterou Fidel.

"Nunca tentei, nem podia fisicamente exercê-las, apesar de ter recuperado consideravelmente a capacidade de analisar e escrever. No entanto, ele nunca deixou de transmitir-me as ideias que projetava", completou.

Fidel destacou ter afirmado ao irmão que não desejava ser incluído na lista de candidatos ao Comitê Central, quando Raúl declarou que seria "muito duro" excluir dirigentes "que pela idade ou saúde não poderiam prestar muitos serviços ao Partido".

"Não hesitei em sugerir que não excluísse estes companheiros de tal honra, e acrescentei que o mais importante era que eu não aparecesse na lista. Penso que recebi muitas honras. Nunca pensei em viver tantos anos."

O líder comunista indicou ainda que votou ao meio-dia de segunda-feira, quando recebeu a cédula.

Em outro artigo, publicado ontem na capa do jornal oficial Granma, Fidel disse que a nova geração esta sendo chamaa a "retificar e mudar, sem hesitações, tudo o que deve ser retificado e mudado, além de continuar demonstrando que o socialismo é também a arte do impossível".

Segundo Fidel, essa tarefa, "é, no entanto, mais difícil que a assumida por nossa geração, quando foi proclamado o socialismo em Cuba", em 1959.

Ele ainda reconheceu que superar o sistema capitalista, "que fomenta e promove os instintos egoístas do ser humano", é "um difícil desafio, na época bárbara das sociedades de consumo". Fonte

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