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21 de maio de 2011

Justiça confisca transmissor de rádio da família de Datena

A Rádio Clube de Goiânia S/A, conhecida como 730 AM, de propriedade de Joel Luis Datena, filho do apresentador da BAND, José Luis Datena, teve um de seus transmissores penhorados na manhã desta quinta-feira (19). Por meio de um mandado executado por duas promotoras acompanhadas do oficial de justiça, Gaudio Fleury, foi determinada a penhora de um dos equipamentos da emissora, avaliado em R$ 240 mil.

Ao Portal IMPRENSA, Carlos Bueno, diretor-superintendente da Rádio 730 AM, afirmou que o processo corre desde 2001. Segundo Bueno o acontecimento de hoje é um resquício de uma série de ações judiciais emitidas pelo governador Marconi Perillo (PSDB) contra a emissora. Até 2003, a estação pertencia ao apresentador Jorge Kajuru. "Desde 2007, tentamos por meio de minutas judiciais persuadir o governador a desitir dos processos. Ele até nos disse que iria perdoar, só que nunca o fez e agora nos enviou esse mandado de penhora", afirma Bueno em conversa por telefone.

Ele reclama que da posição editorial independente da rádio. A divulgação de reportagens que têm incomodado o governador fizeram com que o governo desse um "cala boca à emissora". "Ele [o governador] tinha prometido perdoar os processos e não o fez, e agora se utiliza deste recurso judicial para deixar a rádio com a faca no pescoço", denuncia.

O diretor conta que, no momento da penhora, a emissora ficou fora do ar por 10 minutos quando teve de fazer sua transição para o transmissor reserva. Ocupando o cargo de coordenador de jornalismo da rádio, Altair Tavares, explica que "não é uma situação nova do ponto de vista jurídico, já vem desde a época do Kajuru. A razão social é a mesma e foram várias tentativas de negociação, mas infrutíferas", completa.

Fleury afirmou ao Portal IMPRENSA que o processo é remanescente de vários que foram emitidos contra a emissora na época de Kajuru. "O governador se sentiu ofendido pelo que foi falado na rádio e acionou a justiça, ganhou a causa e agora requer o pagamento da indenização de R$200 mil". Fleury diz, ainda, que a penhora do transmissor aconteceu para garantir o pagamento da quantia devida, e que o "equipamento penhorado é secundário, logo não houve prejuízo nas transmissões da emissora".

De acordo com ele, não se trata de retaliação política, mas simplesmente de uma determinação judicial. Perguntado se o governador estaria se sentindo incomodado com alguma acusação ou notícia publicada pela rádio, o advogado revela que "outra ação contra a Rádio 730 AM está em andamento pelo fato de o governador se sentir ofendido por coisas que são ditas no ar. Muitas vezes, as pessoas ultrapassam a esfera do jornalismo e partem para o ataque pessoal".

Por último, o advogado afirmou que o diretor da rádio Carlos Bueno está como depositário e terá o transmissor da emissora liberado assim que efetuar o pagamento da indenização. O advogado ressalta que, ao contrário do que afirma Bueno nos autos do processo, não constam nenhum tipo de acordo entre a emissora e o governador. "O que existem são recados por parte da rádio de que a indenização seria paga. Mas o prazo se esgotou no ano passado e nenhum pagamento foi efetuado".

Entenda o caso

A Rádio Clube de Goiânia S/A foi fundada no ano de 1942 e, em 1997, passou a se chamar Rádio K, quando se tornou propriedade do jornalista Jorge Kajuru. No ano de 2003, a emissora foi comprada por Joel Luis Datena, passando a se chamar Rádio 730 AM.

Os desentendimentos entre Jorge Kajuru e o atual governador são um episódio bastante conhecido da população goiana. Em 2005, Kajuru foi sentenciado pelo fórum da cidade e condenado a 18 meses de prisão em regime aberto. O objeto da queixa foi difamação cometida contra a Organização Jaime Câmara, grupo proprietário da TV Anhanguera, afiliada da TV Globo em Goiás.

O processo é relacionado a uma acusação que ele fez na rádio K em 1999, quando acusou o governo estadual, na época também Marconi Perillo, de abusar do poder e comprar o campeonato goiano de futebol. Em seguida, o governador teria concedido o direito de transmissão com exclusividade a um canal do grupo OJC.

À época, o apresentador se defendeu por meio de matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo: "Como é que pode, um governo dar a uma emissora de televisão um contrato de exclusividade de um campeonato de futebol e ainda dar um patrocínio? Foi isso que eu critiquei", comentou Kajuru, em entrevista em 2005. Fonte

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