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8 de agosto de 2011

Rede TV! não quebra "de jeito nenhum", afirma dono da emissora

Foto: Letícia Moreira/Folhapress

Não há crise na Rede TV!, segundo seu presidente, Amilcare Dallevo, 53. O atraso no pagamento de alguns jornalistas, contratados como pessoa jurídica, "foi uma estratégia de caixa para comprar a parte do Marcelo de Carvalho", disse em sua primeira entrevista após o que o mercado chamou de crise na quinta emissora do país em audiência, segundo o Ibope.

Marcelo, marido de Luciana Gimenez, que apresenta o "Superpop" na emissora, é dono de 29% da empresa. Dallevo diz que guardava recursos para adquirir a parte do sócio --daí o atraso no último mês, já regularizado. Técnicos dizem que a TV ficou sem Ibope por falta de pagamento, o que Dallevo nega. Dallevo diz que foi ele que desistiu do negócio, como também diz Carvalho.

Dallevo afirma que a emissora fará cortes, mas não especifica percentuais. "A empresa está se reestruturando. Vivemos só de publicidade. Para faturar, temos de ter audiência e custos baixos. Não podemos ser engessados".

Desse raciocínio, vem a necessidade de programas como "Hebe", "TV Fama" e "Pânico" --com picos de audiência de 17 pontos (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande São Paulo), muitas vezes acima do "Fantástico", da Rede Globo.

Confira a seguir a entrevista do jornal Folha de S. Paulo:

Folha - A Rede TV! atrasou quatro meses o pagamento do Ibope e salários de jornalistas. A sua emissora está em crise?

Amilcare Dallevo
- Não. Havia uma negociação com o Ibope. Estudamos uma reestruturação e achávamos que estávamos pagando a mais por alguns serviços.

Vai haver cortes?

Não vai ter corte linear. Vivemos só de publicidade. Para faturar, temos de ter audiência e custos baixos --por isso audiência é fundamental. Não podemos ser engessados. Somos uma TV do século 21. Apostamos no HD, na internet, no 3D.

Por que houve corte de pagamentos?

Eu estava tentando comprar a parte do Marcelo. Segurei uns contratos que seriam usados no pagamento. Depois, abortei a negociação. Não foi uma crise. Foi uma estratégia de caixa para comprar a parte do Marcelo.

Por quê?

Achei que não era o momento de comprar 29% porque comprometeria o plano de crescimento da empresa. Crescemos 25% ao ano nos últimos cinco anos. Para acompanhar esses planos é necessário fazer correções rápidas de rotas.

O que deu errado na negociação com seu sócio?

Eu não tenho problemas com o Marcelo. Agora sou jornalista. Acabei o curso no ano passado. Sei como as coisas funcionam. A mídia inventou uma briga com o Marcelo que não existe. Só pensamos diferente em alguns aspectos.

Qual o principal problema com o seu sócio?

A Rede TV! é a menina mais bonitinha do mercado e todo mundo quer tirá-la para dançar, todo mundo quer comprá-la. O Marcelo se animou. Quer vender a participação dele, e eu não. Dinheiro não me emociona. O que me emociona é fazer coisas novas na TV.

Não há risco de a Rede TV! quebrar?

De jeito nenhum. Para compensar o atraso do mês passado, neste pagamos o salário dois dias antes. O mercado sabe que somos sérios.

TVs de menor porte têm futuro diante da internet?

As TVs têm muito futuro. O Brasil viveu por décadas um modelo em que uma TV tinha 90% da audiência. Em abril [deste ano], a rede líder fechou com 36,8% de audiência. Existe uma fragmentação muito forte, que está forçando uma pulverização do mercado publicitário de TV, o que mais cresce.

A Globo tem 75% da verba publicitária, mas essa pulverização vai mudar tudo. Na Rede TV! já há uma integração com redes sociais, com internet e com YouTube.

Isso é muito legal, porque pulveriza as opiniões. Vamos investir R$ 10 milhões em jornalismo e no Nordeste. Não precisamos puxar o saco nem fazermos oposição disfarçada.

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