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13 de fevereiro de 2013

Os 10 anos da morte do radialista Dante Andreis

Foto: Arquivo/ Gazeta de Caxias

No dia 06 de fevereiro de 2013, completou 10 anos da morte de Dante Andreis. O radialista morreu por volta das 12h30min, no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul, por problemas cardíacos.

Apesar de ter passado uma semana da data dos 10 anos do falecimento de Dante, eu não poderia deixar de registrar esta data, porque o radialista "Bola na rede" é um dos responsáveis indiretamente pelo tema da minha monografia, que vou apresentar neste primeiro semestre de 2013: Juventude 100 anos - Um passado de glórias com a imprensa. No segundo semestre de 2011 realizei o trabalho: Futebol é bola na rede: Dante Andreis uma história de vida dedicada ao rádio esportivo da cidade, e na época fui o único aluno, dentre 44 que tirou a nota máxima do projeto de pesquisa: 100.

Eu digo isto da nota, porque quando realizei o trabalho, eu tinha apenas um livro que citava uma frase sobre o Dante (Nome próprio: Pastelão, de José Domingos Susin), um outro que o própria radialista escrevia sobre a história dele na rádio Caxias (Rádio Caxias 50 anos, de Mário Gardelin) e por fim, o terceiro que descrevia sobre os Personagens da história de Caxias do Sul, de Claudio Thomas. Na época, eu ainda realizei a atividade doente, além de que não conseguiria apresentar se fosse chamado, pois estava sem voz.

O Dante Andreis era meu ídolo no rádio, e lembro até hoje do dia da morte do radialista. Por coincidências da vida, quando ele faleceu, eu estava no outro lado da quadra e fui ao trabalho dos meus pais, e ao ligar o rádio do carro, decidi ouvir o radiojornal Formolo da Caxias AM, quando foi anunciado que o comentarista havia morrido por problemas cardíacos.

Entrei em choque, e foi um dos momentos que mais chorei da minha vida, porque eu gostava muito do Dante Andreis, com a sua simplicidade nos comentários e as histórias. Até fui ver o radialista sendo homenageada pela escola de samba Nação Verde e Branco no carnaval de rua caxiense, se não me engano o desfile começou por volta da 1h, e tinha muitas pessoas acompanhando o desfile, e aplaudindo muito quando ele passava.

No dia 06 de fevereiro de 2003, às 13h entrava no ar, o Campo Neutro, o primeiro sem a presença viva do Dante, ou seja, poucos minutos depois dos colegas saberem que o "bola na rede", não estava mais lá, e foi comovente. Se eu não estiver enganado, era o Alberto Meneguzzi (meu atual colega de rádio São Francisco) que apresentava o programa, e logicamente não tinha condições emocionais de comandar a atração, como ninguém tinha, e eu chorava junto com o pessoal do programa, e tentava entender o porque disto, por quê Dante Andreis iria faltar a primeira jornada da rádio, justo na semana do clássico Ca-Ju?

O radialista José Domingos Susin que morreu no ano passado, na época ele trabalhava na rádio Universidade 1010 AM, também participou do programa por telefone, e estava muito emocionado, foi outro momento inesquecível, porque ele estava no ar na rádio da UCS, e falando na Caxias, um momento raro no rádio local, ambos veículos unidos, por causa do Dante Andreis.

O cronista caxiense Dante Baptista Andreis teve uma história dedicada ao rádio esportivo da serra gaúcha por quase 60 anos. Em 2013 é completada uma década do falecimento do maior comentarista de esportes da região, também conhecido como o ‘bola na rede’. 10 anos se passaram da morte do 'Bola na rede', e o rádio caxiense ainda sente muito a falta de Dante, pela sua simplicidade e sutileza nos comentários. Ele era torcedor declarado do Juventude, e respeitado pela torcida do Caxias, por ser sempre imparcial e isento nos comentários, e defender a dupla Ca-Ju aonde for que ela estivesse.

Esta é portanto, a minha homenagem ao Dante Baptista Andreis, e por isto, eu tinha obrigação de deixar aqui registrado, os 10 anos da morte do radialista, no dia 06 de fevereiro de 2003.

Confira abaixo, uma matéria do jornal Gazeta de Caxias sobre a morte do 'Bola na rede'.


Dez anos sem Dante Andreis

Completa neste dia 6 de fevereiro, quarta-feira, 10 anos da morte de Dante Andreis. Ele morreu no dia 6 de fevereiro de 2003, por volta das 12h30min, no Hospital Pompéia por problemas cardíacos.

Dante tinha 71 anos. Naquela manhã, depois de cumprir religiosamente seus compromissos na Rádio Caxias, onde fazia o comentário “Bola na Rede”, no Jornal da Caxias, dirigiu-se ao escritório do seu amigo, o jornalista Osny Freitas de Oliveira, onde tinha uma sala. Por volta das 11h30min, ao se dirigir para sua residência, na esquina da Rua Garibaldi com a Rua Bento Gonçalves, Dante sentiu-se mal, foi socorrido por populares e levado ao Hospital Pompéia. Mas não adiantou, porque uma hora depois Dante não suportou vindo a falecer.

A partir do momento que a Rádio Caxias divulgou sua morte dentro do programa “Campo Neutro”, que vai ao ar das 13h às 14h, os telefones da emissora não pararam de tocar, amigos, pessoas de seu relacionamento de Caxias, da região e do Estado prestando sua solidariedade. A emissora interrompeu sua programação normal abrindo os espaços para noticiar e repercutir a morte de seu histórico funcionário, cuja ligação remontava a 1946, ano de inauguração da Caxias.

O corpo de Dante foi velado na Câmara Municipal com a presença de extraordinário movimento popular. No seu caixão, as bandeiras do Esporte Clube Juventude, seu clube de coração e da SER Caxias que ele também defendia ardorosamente. Dante nasceu em 8 de março de 1931 e foi o mais famoso radialista da história da imprensa caxiense, pois exerceu a atividade ininterruptamente durante 57 anos, dando-lhe uma popularidade invejável. Pelas mãos de Dante um número bastante grande de profissionais do rádio começou as atividades.

Dante sempre dizia que se era para ser homenageado que o fosse em vida, e foi em vida que ele recebeu da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Emérito de Caxias. O Juventude, seu clube preferido, o eternizou dando-lhe seu nome na Sala de Imprensa do Estádio Alfredo Jaconi.

“Eu fiz do rádio um sacerdócio”

Dante se orgulhava de ser um típico caxiense e dizia que não trocava a cidade por nenhuma do mundo. Sempre afirmava que se tivesse que começar tudo de novo, assim o faria. Reconhecia, porém, humildemente, que se pudesse voltaria atrás, teria estudado mais, pois com o tempo constatou como era importante se tivesse ampliado seus conhecimentos intelectuais.

Mas Dante, na verdade, era estimado por todos, independente de ter um nível cultural elevado ou não. Este era seu segredo, sem firulas, falava a linguagem do povo, o que o tornou mais popular ainda. Algumas expressões e jargões de sua autoria ficaram famosos no rádio, tais como: “Futebol é bola na rede” “Não adianta nada”, “Como Deus é bom”, ”Não joga um ovo”, “São todos uns angeletis”, “Este jogador é um furúnculo, uma ferida”, e outras.

Nos 57 anos de atividades houve muitos fatos marcantes para Dante, mas ter ido a três copas do mundo foram os mais significativos. Dante esteve nas Copas de 1982, na Espanha, em 1986, no México, em 1990, na Itália, além da Copa América em 1997. Em 1972, liderou um movimento posicionando-se contra a extinção do futebol do Juventude e do Flamengo para a criação de apenas um clube, no caso a Associação Caxias, o que lhe custou alguns desafetos.

Dante sempre foi um batalhador para que a rádio Caxias transmitisse os jogos e foi graças a sua liderança que a emissora sempre acompanhou os clubes da cidade. Em 1964 eclodiu uma grande crise no mercado. Com ela veio uma determinação de que a rádio não acompanharia mais os jogos da dupla Fla-Ju em Caxias e fora. Dante se rebelou e conseguiu convencer a direção da emissora a manter o esporte em atividades, o que acabou tendo êxito. Chegou a abrir mão de muitas vantagens para que o esporte fosse mantido. Dante gostava tanto do rádio que chegou a afirmar: “Eu fiz do rádio um sacerdócio”.

Dez anos depois de sua morte, a lacuna de sua ausência se mantém. Sua imagem continua provocando saudade e admiração. Na sua edição de 8 de fevereiro de 2003 a Gazeta fez ampla matéria com três páginas repletas de fotos históricas de sua trajetória no rádio caxiense.

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