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12 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI pede "pra sair" e vira motivo de piadas nas redes sociais

O mineiro Naftali Goldzweig, de 80 anos, transformou o anúncio do alemão Joseph Ratzinger em fantasia e fez sucesso nas ruas do Largo do Machado
Foto: Renato Onofre

‘Vaticano anuncia renúncia do Papa Bento XVI durante o carnaval. Ponto pro Capeta!’. “Agora, sem Papa, o carnaval está como o diabo gosta!”. “Que jogue a primeira pedra quem nunca deu um perdido no carnaval! Super entendo o Papa”. Foi assim — com boas doses de humor e muitos trocadilhos — que as redes sociais repercutiram ontem a notícia da renúncia de Joseph Ratzinger, que chegou ao Brasil no auge da folia pagã.

Durante a maior parte do dia, a troca de comando na Igreja Católica ficou entre os assuntos mais comentados da internet e, em meio a postagens que evidenciavam a surpresa dos fiéis com a notícia, havia piadas de todos os tipos. “Renunciar justo no carnaval? Aí tem coisa!”. “Já vi muita mulher engravidar e muito casal se separar no carnaval, mas gente deixando de ser Papa... Essa é nova!”. “Papa querendo ofuscar o carnaval. Tô de olho hein, Bento!”

Na zombaria, houve até quem esbarrasse na política: “Qual será o peso do PMDB no novo Papado, hein?”. “Antecipando-se a FHC, Lula já articula sucessão do Papa”.

O site Kibe Loco, conhecido por suas charges, abordou a renúncia comparando Bento XVI ao jogador de futebol Adriano. A página fez uma montagem gráfica unindo o rosto dos dois e explicou que ambos “largaram o trabalho alegando problemas físicos; acharam que não tinham mais idade pra isso; abandonaram a concentração no carnaval; e, nos últimos tempos, só erguiam a taça para beber”.

‘Papa’ mineiro cai na folia
Em tempos de eliminação no Big Brother Brasil, ainda teve quem simulasse na internet um diálogo de Bento XVI com o jornalista Pedro Bial, apresentador do programa: “Foi por uma questão de afinidade, Bial. Não ia com a cara dos cardeais. Acho que vou fazer sucesso lá fora”.

Diante das brincadeiras, alguns católicos reclamaram: “Quase 200 RT (retuítes) nas piadas do Papa. Depois vocês vão todos para o inferno e não sabem o porquê, né?”.

Ainda na web, enquanto algumas pessoas compartilhavam o último tuíte transmitido anteontem pelo perfil oficial do Papa Bento XVI — texto no qual o Santo Padre atestava que “somos todos pecadores” — muitos usavam a frase como deixa para mais piada: “Mais cedo ou mais tarde, ele baixa no carnaval do Rio ou no de Salvador! Vocês vão ver!”.

E não deu outra. Uma fila de foliões se formou na manhã de ontem no Largo do Machado para tirar fotos ao lado de um falso Papa que curtiu a festa pagã no bloco Largo do Machadinho mas não Largo do Suquinho. Ele foi um dos muitos que transformaram a notícia mais quente do dia em fantasia.

— O Papa não é bobo. Não quis esperar a Jornada Mundial da Juventude (evento internacional que acontece em junho, no Rio) e veio pular o carnaval aqui — brincou a psicóloga Elis Andradas, ao lado do folião.

O Papa em questão não era Joseph Ratzinger, mas Naftali Goldzweig, mineiro de Itajubá, disfarçado de João Paulo II. Aos 80 anos, ele foi tão rápido quanto os jovens da internet e pulou o carnaval carioca com um dos looks mais criativos da jornada.

— Bento XVI não conquistou muito os fiéis. Me vesti de João Paulo II porque ele era mais simpático. No bloco, chegaram a me pedir que ressuscitasse para voltar ao Vaticano — conta, rindo.

Procurada pelo GLOBO, a historiadora e pesquisadora Isabel Lustosa classificou como graciosa a repercussão que uniu a renúncia papal ao carnaval.

— Mendes Fradique, autor do livro “História do Brasil pelo método confuso”, tinha razão: o carnaval é a essência do país. Pode acontecer o que for, que ele não perde sua graça. E isso já é verdade desde, pelo menos, 1912, quando o governo do marechal Hermes da Fonseca adiou para abril todas as comemorações da festa devido à morte do Barão do Rio Branco. Resultado: os brasileiros tiveram dois carnavais. Um no dia certo, quando uma multidão de foliões foi às ruas, e outro semanas depois.

Bento XVI mais pop que Justin Bieber
Sobre a primeira renúncia de um Papa a ser comentada nas redes sociais, a professora e pesquisadora Adriana Braga, do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, observou:

— As redes permitem uma relação entre leitores e notícias mais lúdica e espontânea (do que em veículos de comunicação tradicionais). Isso dá origem a piadas com assuntos tidos como sérios. Mas elas podem variar do bem humorado ao grotesco.

Ontem, um monitoramento do perfil oficial do Papa no Twitter, @Pontifex, revelou que ele ficou mais pop. O microblog, inaugurado na segunda semana de dezembro, ganhou mais de 30 mil novos seguidores num único dia. Esse total é 30 vezes maior do que a média diária registrada pela conta até ontem.

Com o anúncio da renúncia, Bento XVI conseguiu superar o cantor Justin Bieber no Twitter — num verdadeiro milagre da multiplicação.

Imagens relacionadas a Bento XVI também circularam pelo Facebook e Google+ ao longo do dia de ontem. Algumas lembravam seu passado na juventude hitlerista. Outras, postadas por católicos, agradeciam ao Pontífice pelos serviços prestados. Fonte

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