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5 de outubro de 2013

Filme 'Mato Sem Cachorro' conseguiu autorização inédita para usar imagem de John Lennon e a música “Imagine”

Foto: Divulgação

Estreiou nesta sexta, 4, o filme nacional Mato Sem Cachorro, comédia romântica com Bruno Gagliasso, Danilo Gentili e Leandra Leal sobre um casal que se conhece quando ele atropela um cachorro. O incidente une os dois um ao outro e ao cãozinho Guto, que sofre de uma doença rara: ele desmaia toda vez que passa por fortes emoções.

O longa tem um aspecto musical muito forte, já que o protagonista Deco (Gagliasso) é um produtor musical especializado em mashups. O diretor estreante Pedro Amorim, e a produtora do filme, Malu Miranda, integram uma banda que produz mashups, então, nada mais apropriado. A dupla contratou o DJ Faroff (Leonardo Bursztyn), conhecido com o hit da web “System of a Dilma” (mistura de discursos da presidente Dilma Rousseff com a música "Chop Suey", do System of a Down), que criou com exclusividade os mashups que são mostrados no filme. “O Pedro me passou o roteiro e fui pensando e criando mashups diretamente para as cenas do filme”, contou Faroff à Rolling Stone Brasil.

“Requer muita criatividade!”, disse Bruno Gagliasso, que não conhecia essa arte e ficou encantado com a brincadeira. “Não conhecia e achei incrível. É muito bom porque ensina o que é mashup, é algo tão novo e tão vivo! Mexe muito com a criatividade, quem gosta de música, vai amar. O Pedro e a Malu são muito ligados no universo musical e me passaram muitas referencias. É muito louca essa ideia de misturar Queen e música brega – [Sidney] Magal, Paralamas, John Lennon, Wando, Waldick Soriano. É uma feijoada dos populares com rock”, define.

“Usamos mais de 40 fonogramas compradas ou cedidas para o filme além de dois grupos de amigos que fazem trilha para compor as músicas não-diegéticas [inseridas posteriormente à cena]”, complementou Malu, sendo que os grupos em questão são Instituto + Luca Raele e Lucas Marcier + Fabiano Krieger.

“E ainda por cima tinha o Faroff fazendo os mashups e a banda Brasov (Sidney e Suas Cópias, no filme) enfiando mais músicas para dentro dos mashups. No fim do processo, com algo tão eclético sendo formado o Pedro acabou colocando umas músicas nossas para dentro do filme”, revela. “O [nosso grupo, hoje chamado] Lolly and the Pops foi fundamental mesmo para criar a idéia que o Deco podia ter esse hobby e incorporar isso para dentro da trama do filme. Estávamos ensaiando em casa direto enquanto escrevíamos o roteiro e essa parte da nossa vida real entrou na história do Deco - mas é tudo uma brincadeira para mim e o Pedro, não somos tão ‘profissas’ assim como o Faroff!” [risos]

A grande conquista musical do longa foi conseguir a autorização de Yoko Ono para usar a música “Imagine” e a imagem tanto dela, quanto de John Lennon. A cena é uma das primeiras do filme e, de acordo com a produção, trata-se de uma autorização inédita para uma produção audiovisual nacional. A canção é misturada a “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, combinação que pode gerar reações fortes por parte dos beatlemaníacos mais puristas. “Assim que o Pedro me falou que queria um mashup com ícones para o começo do filme, eu pensei no John Lennon e pensei em ‘Imagine’. O Teló caiu como uma luva, até por ter uma música tão emblemática também. Quando ouvi a notícia de que a Yoko Ono tinha adorado e liberado, quase não acreditei e quase caí da cadeira”, diz ele animado. “No mundo do mashup, hoje em dia, muitas vezes dependemos de pessoas com a cabeça aberta a novidades e experimentações, como a da Yoko, para conseguirmos liberações.”

Malu contou que Faroff criou o esboço do mashup primeiro e isso foi mostrado ao advogado da produção, que cuida de licenciamentos. “Eu, como produtora, achei que a idéia do Léo [Faroff] ter colocado essas duas músicas juntas tinha tudo a ver com a proposta inicial do Pedro, que era fazer com que o espectador que não soubesse o que era um mashup entendesse de cara que o Deco no filme estava misturando duas músicas e formando um novo som”, conta. “Com essas duas músicas emblemáticas, sabíamos que a cena iria funcionar. O [advogado] Caio Mariano foi incrível - ele conhecia o advogado da Yoko Ono e mandou para ele a cena já montada, com outras imagens que o Pedro e os montadores tinham extraído do You Tube. Quando nós recebemos a resposta positiva da Yoko Ono, piramos. Ela adorou! Todos dizem que ela é uma mulher muito moderna e aberta para essas coisas. Depois entramos no processo de encaixar as imagens que eram do espólio dela e do John Lennon para podermos autorizar tudo em um lugar só. Foi mágico, ela ofereceu imagens até melhores do que já tínhamos na montagem inicial.” Fonte

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