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10 de janeiro de 2014

Estaduais 2014 tendem a ser os piores da História

Foto: Reprodução

O texto é do Economista, Especialista em Gestão e Marketing do Esporte e Pesquisa de Mercado, Diretor da Pluri Consultoria e da Brasil Sports Market, Fernando Ferreira.

Pode piorar mais?

Para os que reclamavam que o Campeonato Brasileiro não foi lá grande coisa, a perspectiva o pode ser pior, pois vem aí os Estaduais. Sim, os famigerados Estaduais, que pioram a cada ano, deixaram de ser relevantes a mais de uma década, e se tornam um produto cada vez menos interessante para todos os envolvidos. Nesse cenário perdem os clubes maiores que não maximizam receitas, os menores, que se asfixiam cada vez mais (e morrem), e o torcedor brasileiro, que assiste quase 4 meses (1/3 do ano) a um futebol de baixo nível, acompanhando a cada dia mais os campeonatos Europeus.

Mas a novidade é que nos últimos anos a estratégia dos principais clubes está mudando, e ao invés de lutar para mudar os Estaduais, a tendência atual é ignorá-los, tratando-os como uma pré-temporada de fato, aquela que o calendário brasileiro se recusa a dar aos clubes.

A decisão do Atlético-Pr de disputar o Paranaense 2013 com a equipe Sub-23 parece ter sido um divisor de águas. Independente da discussão sobre a causalidade entre o fato de se poupar o time titular e a bela campanha da equipe no segundo semestre (2º na Copa do Brasil e 3º no Brasileirão), é inegável a existência de correlação entre os dois fatores.

Apesar de abrir mão da verba de TV, a medida resultou em vantagens para o Atlético-Pr: 1) Poupou o time principal para a disputa da parte relevante da temporada, deixando o time mais forte para as competições do 2º semestre; 2) Reduziu custo com jogadores inativos por lesões; 3) Ao colocar o time sub-23 para disputar o Estadual, deu ritmo de jogo para os atletas da base, permitindo uma melhor observação e maior exposição destes jogadores, com sua consequente valorização. Isso também evita que se coloquem os mais novos na fogueira de uma competição mais relevante, justamente na difícil fase de transição, da base para o profissional; 4) Permitiu que o clube abrisse espaço no calendário para excursionar, o que é bom para a exposição internacional da marca do Clube.

Ao perceber as vantagens desta estratégia, cada vez mais clubes tenderão a “abandonar” os Estaduais. E quanto mais isso ocorrer, mais os seus rivais precisarão fazer o mesmo para poupar seus elencos para os campeonatos mais importantes, sob pena de chegar no final da temporada (finais do Brasileirão e Copa do Brasil) com os times perdendo competitividade por cansaço e lesões dos jogadores. Nesse cenário estamos instalando um círculo vicioso que tende a levar à ruptura destas competições nos próximos anos.

Claro que o discurso dos dirigentes dos clubes será diferente, muitos dirão que estão muito interessados nos Estaduais. É uma forma de dar uma satisfação ao torcedor e às próprias federações, que ensaiam aumentar a pressão para obrigar os clubes a priorizar os Estaduais nos próximos anos.

Mas vamos analisar com mais detalhes o que ocorrerá na temporada 14: 1) alguns clubes já anunciaram que disputarão o Estadual com o Sub-23, em especial a fase inicial, com grande número de jogos de baixa qualidade e importância; 2) Não podemos esperar grande dedicação dos 6 Times que disputam a Libertadores. Nos últimos anos mais de 70% dos clubes que disputaram essa competição não foram campeões Estaduais, mesmo tendo elencos mais fortes. É questão de priorização; 3) A Copa do Nordeste ganha cada vez mais força, fazendo com que os Estaduais caiam para 2º plano (ao menos em suas fases iniciais) para os principais clubes da região.

Estudo da PLURI (link AQUI) mostrou que em 2013 os Estaduais tiveram 9% de redução na presença de público nos estádios, fechando o ano com média de 2,5 mil torcedores por jogo. Em 2014 somente o efeito novidade das novas arenas pode reverter (momentaneamente) essa queda. Portanto, além de um novo esvaziamento dos Estaduais (o que não é um fato pontual, e sim uma tendência), também veremos em 2014 a volta de outro fator que aparece cada vez com mais força nesta época do ano: a insatisfação da imprensa e dos torcedores com o calendário e a necessidade de sua reformulação.

Será um prato cheio para o Bom Senso FC. Assim, talvez tenhamos mais emoção fora do que dentro de campo.

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