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13 de fevereiro de 2014

Correio Riograndense completa 105 anos de muitas histórias


Um dos jornais mais antigos em atividade do Brasil, o Correio Riograndense participa da vida dos leitores há 105 anos, com uma circulação ininterrupta desde o dia 13 de fevereiro de 1909.


Capa da edição de 105 anos

Confira uma matéria comemorativa publicada no ano passado:


Foto: Divulgação/CR

O Correio Riograndense prioriza tanto a família em seus conteúdos e metas que criou uma própria. Não se trata de família enquadrada nos padrões tradicionais, mas uma formada por agentes, assinantes e leitores em geral. A relação entre esses elos vai além de uma mera questão comercial. Ela envolve fidelidade, uma certa cumplicidade e, acima de tudo, respeito. São esses os pilares que dão sustentação ao jornal que completa, no próximo dia 13 de fevereiro, 104 anos de circulação ininterrupta.

Fundado pelo padre Carmine Fasulo, pároco da paróquia de Santa Tereza, de Caxias do Sul, com o nome La Libertà, o Correio Riograndense se encaixava com perfeição na idealização de frei Bruno de Gillonnay, coordenador da missão capuchinha no Rio Grande do Sul, que chegara da França em 1896. Foi frei Bruno que relatou ao bispo dom Giovanni Scalabrini, em 1904, a necessidade da imprensa para a evangelização. “Trabalhamos para estabelecer com simplicidade, no centro das colônias italianas, uma pequena impressora, que levará periodicamente no seio das famílias, em sua linguagem materna, uma página do Santo Evangelho, explicada e comentada, uma história edificante, alguns conselhos de agricultura...”, escreveu o capuchinho.

Trecho do editorial publicado na capa da primeira edição do jornal diz: “O nosso jornal será semanal e de índole clara e essencialmente católica, apostólica e romana; será papal, no mais estrito sentido da palavra... que se quebre a pena entre os dedos e se seque a nossa mão direita se um dia nos afastarmos uma linha deste nobre e santo ideal.”

Em outro parágrafo, destaca: “Com isso não se deve entender que o nosso jornal tratará exclusivamente de assuntos religiosos. Nós levaremos aos nossos egrégios leitores todas aquelas noções que poderão interessar também do lado material. Portanto, trataremos de agricultura, indústria, higiene e também um pouco de medicina prática, todas coisas que consideramos não só úteis, mas também necessárias ao desenvolvimento da vida social.”

A linha editorial definida em 1909 atendia aos propósitos de padre Fasulo e ao sonho de frei Bruno e realçava a família como público alvo. E por mais de um século ela vem sendo rigorosamente seguida.

No campo material, desde o longínquo 1909 o Correio Riograndense levou informações que ajudaram o agricultor a migrar da monocultura para a diversificação, e a ultrapassar o limite da subsistência para ser fornecedor de um mercado que não parou mais de crescer. A atividade na terra se tornou fonte de renda, mudança estimulada por este jornal que está na raiz de muitos dos atuais empreendimentos rurais. Também contribuiu para que a região onde nasceu, a Serra gaúcha, consolidasse sua vocação agrícola e pecuária. Os vinhedos, originalmente solitários no cenário local, ganharam a companhia das macieiras, ameixeiras, pessegueiros..., das lavouras de hortigranjeiros e até de grãos. E proliferaram estábulos, chiqueirões e aviários.

No campo espiritual, transmitiu e atualizou as orientações da Igreja Católica, defendendo a fé e os princípios cristãos. A cada semana, no ousado papel de evangelho, penetrou em milhares de casas carregando uma mensagem de esperança, estímulo e solidariedade.

Mais do que informar, o Correio Riograndense também formou. Na área educacional, contribuiu para a alfabetização de um número de pessoas que jamais será dimensionado – mas que é muito grande, não por avaliação aleatória, mas por depoimentos colhidos ao longo de décadas. Na área profissional e comportamental, apontou caminhos, antecipou tendências. Mas seu foco jamais se desviou da mais importante e fundamental base da sociedade: a família.

Para este jornal, dedicar atenção especial à família não é adotar o rumo da superficialidade e da frivolidade, muito menos dar espaço para modismos que não resistem ao mês seguinte, ou têm duração mais efêmera ainda. Nem pautar temas apelativos, um risco para avançar a tênue linha entre a seriedade e o sensacionalismo.

Para o Correio Riograndense, priorizar a família é ser intransigente na defesa de valores éticos e morais; é incentivar as relações sadias entre pais e filhos, entre crianças, jovens e adultos; é promover a cidadania, a fraternidade, a paz e o bem. E fazer isso com consciência e responsabilidade.

O jornal que acolhe milhares de famílias é também bem aceito por elas, numa reciprocidade de características específicas conservada por várias gerações. Mas essa intimidade só se constrói com um valor vital para qualquer veículo de comunicação: credibilidade. Sem essa confiança, prevalecem os muros, os entraves, os obstáculos. Mantê-la talvez seja o principal desafio de todos que fazem este jornal chegar semanalmente a milhares de lares – e também dos que o acolhem. Afinal, como ressalta em sua mais recente campanha, o Correio Riograndense “faz parte da sua família. Pode botar fé.”

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HISTÓRICO

A história do jornal inicia com o La Libertà, em 1909, editado pelo sacerdote diocesano Pe. Carmine Fasulo. Em 1910 é adquirido pelo colega Pe. Giovanni Fronchetti, que muda o nome para Il Colono Italiano e o transfere para Garibaldi, onde os capuchinhos haviam se instalado em 1896, vindos da Província da Sabóia. Em 1917 os capuchinhos assumem a edição do semanário e mudam o nome para La Staffetta Riograndense. Em 1921 a entidade civil dos capuchinhos adquire integralmente o jornal e suas oficinas. No contexto da II Guerra Mundial, em 1941, o nome é compulsoriamente traduzido para Correio Riograndense e a edição não pode mais conter línguas estrangeiras (parte era editado em italiano).

O jornal foi editado em Garibaldi até 1952, quando se transfere para Caxias do Sul e propicia o nascimento da Editora São Miguel. Em 1970 abandona o sistema tipográfico, sendo um dos pioneiros na introdução do sistema offset, adquirindo, inclusive, uma rotativa de quatro unidades. No final dos anos 1990 a impressão passa a ser terceirizada.

Para marcar o centenário (2009), o jornal ganhou um novo projeto gráfico e ampliação do número de páginas em cores. O jornal se sustenta com venda de publicidade e através de assinaturas; tem como meta manter 15 mil assinantes ativos. Editorialmente, o CR prioriza temas de Igreja, ecologia, agricultura, saúde, educação e cultura da imigração italiana no Sul do Brasil, especialmente o lado lingüístico... No Rio Grande do Sul, os capuchinhos estão presentes há mais de 90 anos no jornal e há 60 anos no rádio. Fonte

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