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26 de fevereiro de 2011

Filho mais novo de Gaddafi se junta a rebeldes na Líbia

O filho mais novo do ditador líbio Muammar Gaddafi, Saif al Arab, se juntou aos manifestantes na cidade de Benghazi (leste daLíbia), após ser enviado pelo pai para ajudar as forças oficiais a esmagar os protestos. A informação foi dada pela rede estatal iraniana Press TV.

Segundo a rede, Saif al Arab teria ido a Benghazi para cooperar com as forças de segurança líbias na quinta-feira (24) acompanhado de tropas e equipamentos militares, segundo a Press TV. Ele também teria sugerido que o pai – no poder há 42 anos – poderia se suicidar ou fugir para a América Latina, se não conseguir conter o avanço dos protestos contra seu governo.

A agência estatal de notícias Irna, por sua vez, destacou que autoridades militares e dos serviços de inteligência na cidade de Al Bayda (também no leste do país) renunciaram a seus cargos. O comandante das Forças Armadas na cidade de Tobruk, o major general Suleiman Mahmoud, fez duras críticas ao regime de Gaddafi.

À rede de TV Al Jazeera, do Qatar, Mahmoud disse que “está do lado do povo”.

- Eu estive com ele [Gaddafi] no passado, mas a situação mudou [...] Ele é um tirano. Estamos apoiando o povo líbio e soldados e civis concordaram em ficar contra quaisquer agressões.

Na terça-feira (22), o ministro do Interior da Líbia, Abdul Fatah Younis, renunciou ao cargo e pediu aos militares que se unissem ao povo e a suas “demandas legítimas” - Younis é o número dois do regime líbio e general do Exército.

Gaddafi vem reprimindo com violência uma onda de protestos contra seu governo que atinge o país há duas semanas. No mesmo dia, ele fez um duro discurso em que culpou a imprensa estrangeira pelas manifestações e afirmou que não irá renunciar.

Irã
Na quarta-feira (23), o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, condenou a brutalidade do governo líbio contra os manifestantes que pedem o fim do regime de Gaddafi. As declarações vieram após manifestantes líbios terem relatado que foram atacados por tanques e aviões de guerra.

- Eu quero que todos os chefes de Estado prestem atenção a seu povo e cooperem, sentem e conversem, e ouçam a suas palavras. Por que eles agem tão mal que seu povo precisa recorrer à pressão por reformar?

Ahmadinejad disse que as revoltas árabes, como as ocorridas na Tunísia e no Egito, são como um “despertar islâmico” contra regimes ditatoriais.

Milhares de mortos
Nesta sexta-feira (25), o secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, disse que “é hora de agir” para conter a escalada de violência na Líbia, e o vice-embaixador líbio, Ibrahim Debbashi, disse que os mortos no país somam milhares, não centenas.

Ki-moon disse que “a violência deve parar e os responsáveis pelo banho de sangue devem ser punidos”.

O secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse que os Estados Unidos estão preparando “sanções unilaterais e multilaterais” contra o regime líbio, sem detalhar qual será a reação americana. França e do Reino Unido pediram à ONU um embargo ao comércio de armas à Líbia. A ministra das Relações Exteriores francesa, Michèle Alliot-Marie, disse que “nós não podemos apenas continuar com discursos, nós precisamos agir”.

A Otan (aliança militar do Ocidente) também anunciou que está pronta para eventuais operações de resgate de cidadãos estrangeiros do país. O secretário-geral da organização, Anders Rasmussen, já convocou uma reunião de emergência. Fonte

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