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12 de maio de 2013

Pedido de música sertaneja em rádio do RS servia de código na fraude do leite


Os tanques eram usados para fazer a mistura de água e ureia ao leite
Foto: Divulgação/MP

A comunicação entre integrantes do esquema de adulteração de leite no núcleo de Ibirubá, na Região Noroeste, era feita muitas vezes através do rádio. Conforme o promotor Mauro Rochenback, a alternativa era utilizada porque o sinal de celular na região é ruim. O artifício era usado principalmente para a comunicação com caminhoneiros do transporte do produto. A música pedida, com dedicatória, servia como código.

"Eles tinham esse código. Como na região existe dificuldade em falar por telefone, eles usavam esse recurso para se comunicar. Ligavam para a rádio e diziam que queriam oferecer uma música para tal pessoa, e aí aquela pessoa sabia para onde tinha que ir, ou então para onde não poderia ir", disse o promotor. "Eram preferencialmente músicas sertanejas", completou.

No entanto, Rochenback entende que essas escutas não sejam parte importante na investigação. Ele recebeu a informação das escutas, mas ainda não ouviu a gravação. "Não escutei ainda, não faz muita diferença, não tem as identificações", acrescentou.
'Virou motivo de piada', diz radialista.

Acostumado a tocar música sertaneja na Rádio Amizade FM, em Ibirubá, o radialista Carlos Cézar se surpreendeu ao saber que as ondas da emissora eram usadas para maquiar o esquema de fraude no leite, revelado pelo Ministério Público nesta semana. Apesar de ser a mais tocada em alguns momentos, ele garante nunca ter desconfiado que “Caminhoneiro”, de Chitãozinho & Xororó, poderia servir como senha para avisar motoristas de caminhão sobre a presença de fiscais.

“As pessoas pedem a música e normalmente dedicam para alguma pessoa. Nesse caso, dedicavam para amigos. Essa música era bem frequente, estava entre as mais tocadas em alguns momentos. Mas a gente nunca desconfiou”, relata o radialista ao G1. “O assunto está repercutindo bastante na região. Virou motivo de piada entre os moradores”, conta.

Apesar dos pedidos de música não levantarem suspeitas, o esquema de fraude no leite já era um assunto que preocupava a comunidade antes das investigações do MP. Fonte

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