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10 de fevereiro de 2014

Grupo Black Bloc lamenta morte de cinegrafista e reclama de "casos não divulgados" de baixas em protestos


Em uma página no Facebook, o Black Bloc RJ lamentou a morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade, nesta segunda-feira, em decorrência de afundamento de crânio após ele ser atingido por um rojão de vara durante manifestação na quinta-feira. Apesar de desejar "toda força a família", o grupo publicou chamado para outras duas manifestações contra o aumento das passagens municipais.

O Black Bloc RJ citou a morte de um idoso supostamente atropelado em função da violência policial. No entanto, não há informações sobre o homem. "Estamos muito chateados com a notícia sobre a morte de Santiago (Andrade), lamentamos demais e desejamos toda força a família, é uma perda muito difícil... Não vamos esquecer também do senhor que foi atropelado e morreu no mesmo dia - devido a violência da PM - e a televisão se quer (sic) citou!"

O grupo classificou a morte de Andrade como "uma infelicidade" e afirmou que outros casos de morte em manifestações não tiveram investigação tão profunda. "Realmente, infelizmente é muito triste e difícil esse momento em que estamos lutando por um País melhor e acontece uma infelicidade dessa, fica claro a diferença entre PM e Manifestante! Nunca aconteceu tanta investigação por um caso como o do cinegrafista, pessoas morrem na mão dos imundos (policiais militares) e não são noticiados e os causadores não são caçados".

De acordo com o Black Bloc RJ, desde que os protestos começaram, foram "mais de quatro mortes por causa da violência policial em manifestações" supostamente não divulgadas pela mídia. O grupo garante estar em luto "não só pelo cinegrafista, mas por todos que morreram e não tiveram nenhuma citação na TV". "Todos são vidas, a dor da perda é igual. Força pras (sic) famílias", completou o grupo na postagem.

Entidades exigem medidas para evitar violência contra jornalistas
Integrantes do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional lamentaram hoje a morte do repórter cinematográfico. "O que nós queremos é que identifiquem e punam os responsáveis por essa tragédia, mas também que o governo crie e adote políticas e procedimentos necessários para garantir o trabalho dos profissionais e manifestantes que têm pacificamente demonstrado a sua insatisfação, e não desse grupo minoritário de baderneiros e arruaceiros que têm depredado o patrimônio público e restringido a atividade dos profissionais de imprensa", disse o presidente da Associação Brasileira de Rádio de Televisão (Abert), Daniel Slavieiro.

Slavieiro informou que a Abert e outras entidades representativas das empresas de comunicação solicitaram uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na qual querem saber que medidas o governo pretende tomar para impedir que os casos se repitam. Os representantes das empresas querem também manifestar a preocupação dos profissionais de imprensa com a escalada da violência contra eles.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, lembrou que a entidade já se manifestou sobre o "atentado" de quinta-feira e reafirmou que, com a morte do cinegrafista da Bandeirantes "exige do Estado brasileiro pronta reação para barrar esse tipo de violência".

Segundo Schröder, a morte de Santiago não pode passar desapercebida, nem ser mais uma estatística na sociedade brasileira. "É uma morte completamente injustificada, não tem sentido para o jornalismo brasileiro e é uma ofensa povo brasileiro", afirmou. Fonte

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