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19 de fevereiro de 2014

Morte do torcedor Kevin Espada completa um ano e ainda não houve punições


Um ano depois da morte de um garoto de 14 anos em um jogo de Libertadores, as marcas da tragédia em Oruro atingem unicamente a família de Kevin Beltrán Espada. Desde agosto passado, quando foi arquivado o processo contra Helder Alves Martins, o menor que assumiu ter disparado o sinalizador naval que atingiu o garoto durante a partida entre San José e Corinthians, em 20 de fevereiro de 2013, o saldo é que não há ninguém preso por ter tirado a vida do filho mais velho de Limbert e Carola Beltrán.

Helder era menor de idade quando Kevin morreu. Ele não quer falar sobre o assunto. O advogado Ricardo Cabral, que o representou nos processos contra ele no Brasil – e também advoga para a Gaviões da Fiel –, disse ao iG Esporte que o jovem se afastou do futebol e nem mesmo vai mais aos jogos do Corinthians. Completou 18 anos em julho. Até o dia 21 daquele mês, ele era apenas H.A.M., o menor acusado de matar Kevin.

“Ele não quer conversar com ninguém. O Helder, agora posso falar o nome dele porque ele já é maior, está trabalhando registrado na empresa Cinemark e ganha um salário mínimo. Concluiu o terceiro colegial e quer prestar vestibular para Engenharia Mecatrônica”, disse Cabral. Entrevistas com Helder foram negadas.

Segundo o advogado, o morador do Bom Retiro, bairro onde fica a quadra da Gaviões, deixou totalmente a torcida e quer apenas ser esquecido. “Não está mais indo nem nos jogos do Corinthians, nem a Gaviões. Os próprios torcedores da Gaviões tentam retaliar pelo que aconteceu. O culpam por tudo que aconteceu. Não era para ele ter levado os sinalizadores para o estádio sem a autorização da diretoria. O pessoal da torcida sabe quem é ele. Então essas circunstancias levaram que não fosse mais. Ele quer cair no anonimato”, falou Cabral.

Anônimo ou não, seu ato sempre será lembrado por quem chora a morte de Kevin um ano depois e não tem mais esperança de justiça. “Estamos decepcionados, totalmente decepcionados. Ficamos impotentes, com sensação de que não se fez justiça correta. Obviamente todos sabem, é de conhecimento público como pressionaram a Bolívia. Teve o ministério de Justiça do Brasil, embaixada e políticos que advogaram pelos presos. No final parece que não importou a morte do meu filho, quando deveriam fazer uma investigação correta”, disse Limbert Beltrán, pai de Kevin à época do arquivamento do processo.

O Corinthians pagou 55 mil dólares de indenização à família de Kevin.

Os 12 de Oruro

Seguida à prisão de 12 corintianos que estavam no estádio de Oruro na partida contra o San José, o Corinthians assumiu uma defesa pública dos detidos. Por não haver provas contra eles, o crime maior, segundo o presidente Mário Gobbi, era a manutenção deles na penitenciária San Pedro.

Depois de um esforço que incluiu a atuação dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, os 12 foram soltou seis meses depois. E logo viu-se que por mais que eles não tivessem matado Kevin, alguns deles eram capazes de atos de selvageria em estádios e fora deles.

Dos 12 corintianos presos em Oruro, cinco já foram flagrados em ações violentas: três brigaram com vascaínos em Brasília no mesmo mês em que foram soltos – Cleuter Barreto Barros, Leandro Silva de Oliveira e Fábio Neves Domingos –; um está preso por ter fugido de uma blitz e atirado contra policiais na Bahia – Raphael Machado Castilho Araújo –; e outro participou da recente invasão ao CT do Corinthians – Tiago Aurélio dos Santos Ferreira.

"Estou decepcionadíssimo com o rapaz de Oruro que invadiu o CT. Ele passou por uma experiência que deveria servir de exemplo na vida dele. Jamais deveria ter praticado uma conduta como essa. Minha decepção é inabalável e não tem volta. Todos esses de Oruro que se envolveram em fatos recentes não podem ter mais meu apoio", disse Mário Gobbi na última semana sobre os torcedores a quem dedicou o título paulista de 2013.

A Conmebol

Em um ano desde a morte de Kevin a Conmebol não fez nada para coibir a presença de sinalizadores em estádios da Libertadores. A única punição dada ao Corinthians à época foi a realização de quatro partidas com portões fechados. No fim, apenas uma foi cumprida. Na mesma edição do torneio, torcedores do Caracas, na Venezuela, usaram sinalizadores durante os jogos da equipe.

Nesta temporada, em Guayaquil, no Equador, torcedores do Emelec usaram sinalizadores na partida de estreia da equipe no torneio contra o Bolívar. E a Conmebol nada fez para punir os clubes que permitem a entrada de artefatos capazes de matar num estádio de futebol. Fonte

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