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13 de fevereiro de 2011

Correio Riograndense completa 102 anos

O periódico semanal Correio Riograndense de Caxias do Sul, completa neste domingo 102 anos, sendo um dos jornais mais velhos do Rio Grande do Sul.

No ano passado entrevistei o diretor de redação do Correio, Frei Aldo Colombo, para a matéria especial O Senhor no Ar: O pioneiro de Caxias do Sul, relembre aqui.

Confira o editorial do jornal publicado nessa semana sobre os 102 anos do veículo impresso, assinado pelo Frei Aldo Colombo. O impresso é distribuído semanalmente às quarta-feiras e possui mais de 15 mil assinantes.

Confiança e fidelidade há mais de um século

O Correio Riograndense completa no próximo domingo, 13 de fevereiro, 102 anos de circulação. Ultrapassar a barreira de um século é tão relevante que em todo o Brasil o seleto grupo de centenários é formado por apenas 26 jornais - cinco deles com sede no Rio Grande do Sul. Mas mais importante do que avançar sobre esta linha do tempo é a certeza de que o horizonte não se esgota nela.

Fundado como o nome de La Libertà, em 1909, o Correio Riograndense veio preencher um vazio no mapa de serviços das então já promissoras Caxias do Sul e região. Ao mesmo tempo, se constituiu em um determinante instrumento para difundir a mensagem da Igreja Cristã e em um marco para a vida dos colonizadores da Serra gaúcha, em especial os imigrantes italianos.

Desde as primeiras edições, ao adotar o nome Il Colono Italiano (1910 a 1917) ou quando ganhou o título de Staffetta Riograndense (1917 a 1941), este jornal sempre teve a preocupação de ser um mecanismo de ajuda para as famílias que começavam a construir a Serra gaúcha. Levando a Palavra do Evangelho, ensinamentos agrícolas e informações e orientações em geral, o Correio Riograndense passou a ser integrante permanente das comunidades - uma visita semanal aguardada sempre com muita expectativa.

Essa função religiosa, econômica e social deu ao jornal o embasamento necessário para estreitar relações e aprofundar parcerias que atravessaram décadas, algumas aproximando-se de um século. Hoje, muitos jovens do Sul do Brasil lembram que o pai assina o jornal assim como faziam o avô e o bisavô. Mais do que um veículo de comunicação, o CR virou tradição.

A trajetória secular do Correio Riograndense está atrelada à dedicação e ao talento de muitas pessoas. Desde as que o dirigiram nos difíceis anos do começo do século passado, passando pelas que enfrentaram dificuldades extremas durante duas Guerras Mundiais e chegando às que, mais recentemente, não mediram esforços para dar ao jornal apresentação e conteúdo de qualidade. É tão grande o universo de colaboradores que nomear alguns pode ser injusto e este espaço é insuficiente para declinar todos os nomes.

É imperioso, porém, destacar a figura do agente. Com denodo e renova disposição, quase 500 pessoas são responsáveis por novas assinaturas, por renovações e, em particular, pelo recebimento e entrega dos exemplares aos integrantes de suas comunidades que prestigiam o Correio Riograndense. Estão distribuídos principalmente pelos três Estados do Sul e graças a eles o CR vai tão longe - único veículo impresso ainda, em várias microrregiões, a chegar ao interior, ou ao interior do interior, como costumam dizer muitos leitores.

Graças à contribuição dos agentes, o CR pode conservar uma logística de circulação sem similar no país - provavelmente no mundo. E milhares de pessoas conseguem receber o jornal na mesma semana em que é editado.

Deve-se deixar claro, no entanto, que de nada adiantariam o esforço interno, a permanente busca pelo aprimoramento e a constante preocupação editorial em informar bem se não houvesse o leitor. É ele a razão de todo trabalho empreendido, semanalmente, há 102 anos. É por causa dele que o Correio Riograndense existe e continuará chegando a milhares de lares.

Não se trata de um leitor comum, como aqueles atraídos pelo sensacionalismo ou apenas pela aparência. O leitor do Correio Riograndense busca essência, uma exigência que o diferencia e estimula quem elabora o jornal a procurar sempre o melhor.

Existe ainda outra particularidade que precisa ser destacada: a relação entre o Correio Riograndense e o seu leitor. Ela é de absoluta fidelidade. Ou haveria outra forma de romper a barreira de um século mantendo os mesmos princípios e objetivos traçados na primeira edição? É o leitor fiel que sustenta esse percurso. E age assim porque encontra nas páginas deste jornal ressonância a suas aspirações e necessidades, porque acredita no que lê, porque confia em um veículo que nunca cedeu a tentações de mercado de fácil retorno financeiro nem a modismos - geralmente inconsistentes.

Fidelidade, credibilidade e confiança são pilares que equilibram e norteiam a trajetória do Correio Riograndense. E este jornal fará todo o possível para seguir a sua histórica linha de atuação.

Ao atingir 102 anos de ininterrupta circulação, a direção do Correio Riograndense quer agradecer a todos que participaram e aos que participam desta jornada exitosa. Ao mesmo tempo, reafirmar o seu compromisso com valores éticos e morais - hoje tão desconsiderados por uma sociedade que se deixa guiar pelo imediatismo e pela obstinação em “ter”. Compromete-se, ainda, a continuar seguindo o jornalismo que tem como finalidade atender aos anseios de seus leitores e não deles se valer para tirar vantagens. É o modelo da honestidade de propósitos, da franqueza, da preservação de costumes, da promoção da cultura, da informação útil, do conteúdo de qualidade... tudo enfim que retroalimenta e fortalece o suporte onde estão a fidelidade e a confiança.

Obrigado pelo apoio e tenham certeza de que tudo continuará sendo feito para retribuir à altura.

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