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14 de abril de 2014

'Novelletto só pensou nele', diz tio de Ricardo Teixeira sobre fracasso da oposição

Foto: Reprodução

Sem mistério e sem surpresas, Marco Polo Del Nero vai ser eleito para presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta quarta-feira, 16 de abril, no Rio de Janeiro. Há mais de dois meses, o dirigente paulista conseguiu enterrar o grupo de oposição. Como principal articulador do movimento contra a atual gestão, um velho conhecido da entidade, Marco Antônio Teixeira, tio do ex-presidente Ricardo Teixeira, que deixou o poder em 2012.

A opinião do Teixeira opositor é firme: a chapa para concorrer com Del Nero não deu certo por causa da ingenuidade e individualismo de Francisco Novelletto, presidente da Federação do Rio Grande do Sul, que chegou a anunciar a candidatura para a CBF. E mais, se Andrés tivesse sido o candidato, a eleição seria mais conturbada, segundo ele.

"O movimento surgiu para buscar uma outra alternativa para a CBF. Esse movimento incialmente tinha cinco federações: Rio, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia. Houve uma reunião em setembro do ano passado, quando Andrés Sanchez também entrou. A ideia era trabalhar junto até o final de 2013 e definir o candidato", começou a contar Marco Antônio Teixeira, para o ESPN.com.br.

"A insatisfação surgiu no momento da renúncia do Ricardo Teixeira. Esses cinco achavam que deveria ter uma outra eleição. O plano do Ricardo sempre foi de colocar Marco Polo Del Nero lá. O Marin apareceu no meio por causa do estatuto", explicou.

E aí começaram os primeiros desentendimentos, segundo o ex-dirigente da CBF.

"Depois dessa reunião em setembro, nunca aconteceu porque o Novelletto estava sempre postergando. Enquanto a gente tentava ver quem era o mais forte, ele já estava trabalhando, visitando cidades, fugindo do comportamento do grupo. Na reunião em São Paulo, o Andrés abriu mão para Novelletto. A gente achava que o Andrés era o mais forte, mas se ele não abrisse mão, o grupo racharia. E aí teve tudo aquilo, o Novelletto anunciou a candidatura, mas não conseguiu o apoio necessário", contou - uma chapa precisa de assinaturas de oito federações e cinco clubes para ser registrada.

"Eles conversavam bastante com ele [Novelletto] sobre isso, para ter calma. Acho que ele foi ingênuo politicamente e só pensou nele. A oposição não conseguiu se manter como grupo, pela individualidade de Novelletto. Ele era o mais fraco dos três [em relação ao Rio de Janeiro e Andrés Sanchez]. O objetivo não era ter um presidente, mas sim uma chapa. Ele jamais deixou a postura dele de só pensar em ser presidente", afirmou Teixeira.

De acordo com o ex-cartola, Novelletto confundiu eventos sociais com eventos políticos.

"O problema é que quando ele fez uma reunião lá no Rio Grande do Sul, na véspera de um jogo da seleção, ele levou diversos dirigentes e achou que aquilo era força política. Por ingenuidade, confundiu eventos sociais com eventos políticos. Ou seja, as federações estavam com ele num evento, não estavam aderindo a ele", comentou.

Para o tio de Ricardo Teixeira, se Novelletto tivesse concordado com a ideia de Andrés Sanchez para candidato, as coisas estariam diferentes neste momento.

"Com certeza teríamos chances. Se em dezembro a gente tivesse tomado essa decisão, a gente teria muitas chances, pelo menos com chance de inscrever a chapa, coisa que a gente não conseguiu".

"Mas o Andrés entendeu. Ele é muito jovem, mas tem muita experiência política. Sabe lidar com isso, entendeu com clareza e aprendeu bastante", completou.

Sobre as tentativas de acordo de Marco Polo Del Nero com Novelletto, recentemente, Teixeira quer esperar para ver o que vai acontecer na quarta-feira.

"Eu vi como uma coisa natural, ele sempre se manteve de forma individual e se manteve desse jeito. Não sei como ele vai reagir no dia da eleição. Nada do que ele propôs foi absolvido. A decisão é toda dele".

Apesar de ser o principal articulador dessa chapa de oposição, o ex-dirigente disse não ter se sentido fracassado com a situação.

"Eu não fazia parte do colégio eleitoral. Se eu fizesse, eu sentiria um fracasso pessoal, mas eu não sinto isso", finalizou. Fonte

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