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29 de setembro de 2014

Sequestrador de hotel no DF se entrega

Foto: Luís N. Oliveira / Futura Press

Um homem que fez um funcionário de um hotel refém desde a manhã desta segunda-feira no Setor Hoteleiro Sul, região central de Brasília, se entregou à polícia após sete horas.

Por volta das 16h, Jac Souza dos Santos e a vítima sairam à sacada do hotel, já sem o colete e minutos depois, o sequestrador se entregou. ele será encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal.

Afirmando ser um terrorista, o sequestrador colocou um colete com supostos explosivos na vítima e ameaça detoná-los no hotel St. Peter, ameaçando ainda o funcionário do hotel com uma pistola.

Três homens da Polícia Civil tentam negociar a rendição do sequestrador, que, pedia a aplicação imediata da lei ficha limpa e extradição de Cesare Battisti.

O sequestrador deu um prazo até às 18 horas para aceitarem as exigências, aparentou nervosismo em alguns momentos, e jogava algo que parecia ser uma bolinha de papel em uma das vezes que saiu na sacada.

O homem, que se hospedou no St. Peter às 6 horas desta segunda-feira, estava em um quarto do 13º andar do hotel e leva o refém com frequência para a sacada. O funcionário, que aparenta ter cerca de 60 anos, mostrava as algemas para fotógrafos e cinegrafistas que estavam em frente ao prédio.

“Se for, é uma quantidade grande de explosivo, que poderia causar danos à estrutura do hotel”, dizia o delegado Paulo Henrique Almeida, diretor de Comunicação da polícia, sobre os explosivos. Os negociadores tentam convencer o sequestrador que sua integridade física será garantida caso ele se entregasse.

Policiais encontraram no Tocantins uma carta de despedida escrita pelo sequestrador há três dias na qual pede desculpas para a família e amigos. Ele avisava, no texto, que cometeria um ato desesperado porque quer mudar o panorama político do Brasil. Afirma ainda que "depois da tempestade vem a bonança".

Antes de deixar Combinado, no Tocantins, no último fim de semana, Jac disse a pelo menos uma pessoa próxima que viajaria para a capital federal, onde ficaria famoso.

Para se afastar das responsabilidades no comitê municipal de um candidato ao governo do Estado, o ex-secretário municipal de Agricultura e candidato a vereador derrotado em 2008, o agricultor Jac Souza dos Santos, de 30 anos, alegou ao coordenador municipal da campanha, Maurílio Martins de Araújo, que viria a Brasília resolver um problema familiar e que estaria de volta ainda hoje.

Ainda não se sabe exatamente quando Santos chegou a Brasília. O que se sabe é que, por volta das 8h30 de hoje (29), ele se hospedou no Hotel Saint Peter e começou a executar o que, ao que tudo indica, já tinha em mente quando deixou Combinado. O agricultor subiu ao 13º andar do hotel, bateu na porta dos apartamentos mandando que as pessoas deixassem o prédio, alegando que se tratava de uma ação terrorista. A essa altura, Santos tinha feito um funcionário refém.

“Nem imagino o que pode ter acontecido. Esse menino é nascido e criado aqui na cidade e é muito gente boa”, contou Araújo. Ex-vereador de Combinado, ex-presidente da Câmara Municipal entre 2004 e 2008, Araújo conhece Souza desde antes de este assumir a Secretaria Municipal de Agricultura na gestão anterior (2009-2012). Embora o agricultor continue envolvido com a política local, Araújo afirma que ele nunca disse nada que levasse alguém a desconfiar do que ele tramava.

“Esse menino trabalha comigo e com outras 20 pessoas aqui no comitê. É nascido e criado aqui em Combinado e é muito gente boa. Sábado [27] à noite, ele esteve em minha casa e disse que tinha que ir a Brasília para resolver uma questão com a ex-mulher, com quem tem uma filha, mas disse que voltaria na segunda. Hoje, depois de ligar para ele duas ou três vezes, liguei a TV e vi essa desgraça”, acrescentou Araújo.

“Só agora eu soube que, antes de passar pela minha casa, ele já tinha dito a minha irmã que ia para Brasília, que ia ficar famoso e que iríamos ouvir falar muito dele. E que ele deixou as cartas. Uma para a mãe, outra para mim, detalhando as contas do comitê que têm que ser pagas”, detalhou Araújo.

Os hóspedes do St. Peter foram comunicados por volta de 9h30 que deveriam evacuar o hotel. “Por volta de 9h30 eu estava no quarto e pediram para sair rápido por causa de um vazamento de gás. (…) No térreo que ficamos sabendo que um sujeito fez refém uma camareira e que um mensageiro do hotel teria se colocado no lugar”, relatou o médico Yoshio Asanuma, que participava de um congresso de cardiologia no hotel.

O hotel St. Peter é o estabelecimento que ofereceu emprego ao ex-ministro José Dirceu em 2013, com um salário de R$ 20 mil. Dirceu, condenado no processo do mensalão, está preso no Complexo da Papuda, em Brasília. Na época, a TV Globo denunciou que o hotel era presidido por um "laranja": José Ritter, que mora em um bairro pobre do Panamá.

Com informações da Agência Brasil

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