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15 de fevereiro de 2011

A sonoridade do futebol - Entrevista com Ramiro Ruschel

O jornalista Ramiro Ruschel, 33 anos, coordenador da jornada esportiva e narrador da Máquina do Cafezinho, da rádio Pop Rock FM, explica que, por ter um som mais “limpo” e atingir um número maior de pessoas (ouvintes), e em razão das novas tecnologias, as emissoras FMs vão tomar conta do mercado. “Aqueles que não modernizarem suas transmissões, tornando a linguagem mais popular, vão perder espaço”.

O criador da Máquina do Cafezinho, Thadeu Malta, sempre dizia que o projeto era um “boing” decolando. “Não se sabia o real destino, mas sabia que ia subir cada vez mais”, relembra Ramiro Ruschel.

Segundo o jornalista, o projeto da Máquina está fechando o terceiro ano de transmissões. “A intenção é desenvolver novas ‘ideias’ para atrair mais ouvintes. O público já é variado, crianças, jovens, adolescentes, adultos e idosos. Queremos é fidelizar a audiência como nossa maneira descontraída de ver o futebol”.

A Máquina do Cafezinho se diferencia em duas situações que a fazem um produto único no rádio. “O bom humor e a formação da equipe nas transmissões, jogos do Grêmio, com os gremistas e partidas do Inter, com os colorados. Puxamos para o lado da paixão, e mesmo assim, os gremistas ouvem as transmissões do Internacional e vice-versa”.

As barreiras foram quebradas e acabaram com os ranços que envolvem o meio do futebol, afirma Ruschel. “Sem as críticas destrutivas, sem o revanchismo com as emissoras concorrentes e uma jornada honesta, enxuta. Não massacramos a audiência com matérias repetitivas”, explica.

Conforme o narrador, depois da inovação da rádio Pop Rock, as emissoras AMs estão usando mais trilhas de rock em seus programas de pré-jogo. “O samba também é muito utilizado por ser eternamente relacionado ao futebol”.

A implementação do rock se deve à chegada de profissionais mais jovens, que estão aos poucos substituindo figuras consagradas nos meios das transmissões esportivas. “É uma fase de transição, daqui a uns 10 anos, a nossa geração dos 30 aos 45 anos estará perto da aposentadoria e aí as coisas devem mudar”, avisa.

O jornalista Ramiro Ruschel foi repórter esportivo da rádio Guaíba AM, antes de trabalhar na Pop Rock FM. Ele trocou de emissora e por consequencia de estilo, do jornalismo para o musical, por precisar de um espaço para crescer profissionalmente. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais evoluir na profissão por questões hierárquicas”, lembra.

A contratação do Ramiro Ruschel na rádio musical ocorreu através de uma indicação do comunicador Paulo Inchauspe, ao ex-coordenador da emissora Alexandre Fetter. “A Pop Rock caiu como uma ‘luva’, o Fetter como visionário que é, comprou a ideia de implantar o esporte diariamente em uma emissora FM, estávamos ali inovando em rádio jovem no estado. Deu tão certo que o projeto continua vivo na Pop Rock e o Fetter levou a ideia para a rádio Atlântida”.

O futebol e a música são as maiores paixões do radialista Ramiro Ruschel, depois da família. “Ao natural os brasileiros são festivos, e a bola e a canção representam a alegria. O futebol chegou a ser chamado de o ‘ópio do povo’ e a música já está na veia de cada pessoa que nasce no país; junta os dois e dá samba”, brinca Ruschel.

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Entrevista com Carlos Guimarães [jornalista e apresentador] -> (14/02/2011)
Entrevista com Ramiro Ruschel [jornalista e narrador] -> (15/02/2011)
Entrevista com Rafa Gubert [torcedor e músico] -> (16/02/2011)
Entrevista com Bivis [comunicador e músico] -> (17/02/2011)

Foto: Site Papo de Bola OBSERVAÇÃO: A entrevista foi realizada no segundo semestre de 2010, para a disciplina Redação Jornalística III, do curso de Jornalismo da UCS, que será publicada no impresso TEXTANDO da universidade.

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